Salim Miguel, decano literário de SC, é homenageado pela vida dedicada aos livros e à cultura

A UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) iniciou nesta terça-feira (30) a primeira de uma série de ações que vão homenagear o centenário do escritor Salim Miguel. Dezenas de pessoas acompanharam a solenidade de descerramento da placa em reverência ao decano da literatura catarinense, em Florianópolis.

Salim Miguel morreu em 2016 – Foto: Marco Santiago/Arquivo/ND

Além da cerimônia, a programação inclui seminários, mesas redondas e reedição de livros, que ocorrerão neste ano, em todo Brasil, para celebrar os 100 anos de Salim, comemorados hoje.

Nascido em 30 de janeiro de 1924, em Kfarsaroun, vilarejo no Norte do Líbano, Salim veio ainda na infância para o Brasil. Inicialmente, para o Rio de Janeiro, e em seguida para Santa Catarina. A placa com os dizeres “Uma vida dedicada aos livros, à arte e à cultura” foi posicionada na entrada da EdUFSC (Editora da UFSC), que Salim dirigiu por oito anos.

O evento contou com a presença do reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, da vice-reitora, Joana Célia dos Passos, do diretor da EdUFSC, Waldir José Rampinelli, e de três filhos do casal Salim Miguel e Eglê Malheiros, um neto, além de amigos, autoridades e admiradores da obra do escritor.

Os filhos do escritor Salim Miguel, Antônio (à esq.), Sônia e Paulo Miguel – Foto: Ariclenes Patté/Agecom/UFSC

“O exemplo ajuda a melhorar. Ele não está entre nós, mas a obra sim. A saudade fica, mas a lembrança é boa”, disse o filho Antônio Miguel. Ele mencionou o romance “Nur na Escuridão” como a obra favorita do pai.

“É o mais popular e premiado, mas acabei de comprar três exemplares de uma novela chamada “As confissões prematuras”, que é bem diferente. São três personagens anônimos, meio Kafka [Franz Kafka]”, conta, citando ainda “A voz Submersa”, que aborda a morte do estudante Edson Luís, em 1968, narrado por uma senhora de classe média impactada pelo fato, e o livro de contos “A Morte do Tenente e outras mortes”.

Vida, obra e prêmios de Salim Miguel

Salim chegou ao Brasil com a família aos três anos. Após um ano no Rio de Janeiro, os imigrantes libaneses vieram para Santa Catarina. Viveram em São Pedro de Alcântara, Antônio Carlos e, depois, em Biguaçu.

Na literatura, desenvolveu uma carreira independente dos circuitos paulista e carioca e uma obra de movida à originalidade. Escreveu 33 livros, entre contos, romances, crônicas e depoimentos. Fez de Santa Catarina o cenário dos seus livros, em especial Biguaçu e Florianópolis, para onde convergem suas memórias de infância e juventude.

Salim Miguel (1924-2015), considerado o decano da literatura catarinense – Foto: REPRODUÇÃO/ND

Jornalista renomado, atuou em publicações como a revista Manchete e como crítico literário do Jornal do Brasil. Também pertenceu ao corpo editorial da revista Ficção.

Em Florianópolis, foi diretor executivo da editora UFSC e presidente da Fundação Cultural Franklin Cascaes. Obteve reconhecimento no Estado e no país, sendo amplamente premiado. Recebeu, por exemplo, o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte, com o melhor romance do ano, pelo livro “Nur na Escuridão”, em 1999, e o Prêmio Machado de Assis, da ABL (Academia Brasileira de Letras), concedido a autores com obra considerada expoente da literatura nacional, em 2009.

Internado em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) por duas semanas para tratar uma broncopneumonia nas primeiras semanas de 2016, entrou em coma e morreu aos 92 anos, em 22 de abril daquele ano, em Brasília (DF).

Expoente nacional

Reitor da UFSC, o professor Irineu Manoel de Souza ressaltou a importância do momento para a universidade, homenageando um dos escritores mais relevantes da Capital, do Estado e do Brasil.

“Celebrar os 100 anos do nascimento de Salim Miguel é um reconhecimento da UFSC da importância desse intelectual que marcou uma era na nossa universidade. É fundamental ressaltar quem foi Salim Miguel, que sempre lutou pela escrita e pela valorização dos mais jovens e pelo incentivo aos mais velhos”, disse, lembrando que o escritor é, também, doutor honoris causa da UFSC, título recebido em 2002.

Reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, vice-reitora, Joana Célia dos Passos, e diretor da EdUFSC, Waldir José Rampinelli (de costas), descerraram a placa – Foto: Ariclenes Patté/Agecom/UFSC

Já a vice-reitora, professora Joana Célia dos Passos, acredita que homenagear Salim Miguel é também marcar a memória do Estado.

“Conseguimos trazer para o século 21 e manter adiante a memória de quem produziu conhecimento, literatura e esteve aqui, acompanhou a UFSC se desenvolver, crescer e se tornar referência. Os 100 anos que começam hoje em comemorações serão de muita vitalidade em Santa Catarina, na UFSC e no Brasil”, complementou.

“Não teria lugar mais apropriado para homenagear Salim Miguel do que esta casa, que foi construída por ele. Salim deu a vida para a editora”, disse o atual diretor da EdUFSC, Waldir José Rampinelli.

“Salim Miguel é o homem do livro, da leitura, da mudança social por meio da escrita”.

Além da homenagem de ontem, na UFSC, o centenário de Salim enseja uma série de eventos por todo país ao longo de 2024. A programação, ainda em construção, estará no salimmiguel100anos.com.br.

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